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O amor é cego

28Nov08

“O Vitória é pobre!”, disse nosso presidente. Muita gente não gostou, mas isto é sensato. Claro que não é e nem deveria ser motivo de orgulho, mas, se é verdade, fazer o quê? Só não vamos confundir: estamos nos comparando a outros clubes da Série A.

Neste sentido, pensar em algo diferente seria a mesma coisa que aconteceu naquele filme “O amor é cego”, onde o Jack Black via a Gwyneth Paltrow numa mulher que tinha o corpo do Jô Soares. Bela paródia, mas aqui é a vida real. 

O São Paulo tem um orçamento quatro vezes maior que o nosso e tantos outros tem o dobro. Felizmente, como disse, podemos nos comparar aos grandes. Mesmo assim, podemos chegar lá. Além do mais, dinheiro ajuda, mas não é tudo.


camisaDesculpem a duplicidade verbal, mas este é o caminho normal para explicar que a Fundação Memorial do Vitória, que já existe no papel, na internet e no meu coração, está perto de existir também para outras pessoas. 

Pessoas importantes, pesquisadores da história rubro-negra. Acho até que se aproxima de uma “Academia Rubro-negra de Letras”. Bem, não cheguemos a tanto, mas sei que o grupo é digno de louvores por lutar para manter a história do clube.

Digo louvores pois, muitas vezes, acho que até que em todas as vezes, isso não dá dinheiro. Ou seja,  é feito por amor ao clube mesmo. Até porque, se ninguém fizer, o que será de nossa história? Vou além: e se não houver história, o que será de nosso clube?

Por tudo isso, entendo que a reunião que se aproxima é algo digno de fazer nossa torcida vibrar, assim como quando ganhamos um campeonato. O Vitória merece isto.


Pena que o glamour de outrora acabou. Devia ser lindo a Enseada da Ribeira com 20 mil pessoas torcendo nas regatas. Não estive lá semana passada, mas vi as matérias sobre mais esta conquista do Vitória no remo, esporte que tem uma longa e bela história no clube.

Mesmo sem o glamour, valeu a conquista. Em mim, esta prova causa saudades. Saudades, aliás, de um tempo que não vivi. Estranho isso, não é? Sorte que tenho a história nos livros para fazer esta viagem ao passado.

Vou deixar uma sugestão para que possamos fazer, nas regatas, homenagens aos antigos heróis rubro-negros. Seria um jeito de resgatar um pouco esta impressionante história. Para quem não sabe, nos primeiros 40 anos do clube apenas um presidente não era remador. 

Daí tanto destaque nas regatas na história do clube. Para quem não sabia, sugiro uma visita no www.memorialdovitoria.com.br. Aos poucos estamos construindo um lugar decente para guardar a história de nosso clube.


nizanA crise é grande, disso todo mundo sabe, mas brasileiro é “safo” no quesito “se virar com pouco ou nada”. Faz isso há séculos, desde que nosso país foi inventado, e mais uma vez teremos que dar um jeito em nossa história.

Para ficar no assunto futebol, estou vendo patrocínios sumirem e cotas serem reduzidas. E isso em São Paulo, meca dos negócios no Brasil. Não devemos esperar vida fácil por aqui, nem mesmo comparando só com outras temporadas baianas.

Mais uma vez teremos que ser criativos nas soluções, pois fazer dívida não é receita saudável para nenhum negócio, apesar de ser comum. Acredito na criatividade como arma, mas também não adianta chamar Nizan Guanaes para ser presidente (pensando bem, por que não?).

Aforismos à parte, sei que não podemos montar um time forte, mas podemos ter um time competitivo para o Brasileiro 2009 (se Deus quiser e o Grêmio, o Palmeiras ou o Vasco permitirem, para a Sulamericana também). 

Por isso, vamos abrir o olho para este Baianão. Devemos pensá-lo como primeira fase do Brasileiro, a fase regional, levando a sério as disputas e buscando uma equipe base para o nacional. Conquistado isso, no momento certo vamos contratar peças chaves, aquelas que poderão fazer a diferença. 

No mais, continuo acreditando que, apesar do imenso desafio financeiro e das dificuldades baianófilas, apenas um obstáculo pode complicar toda nossa caminhada: nós mesmos. Por isto, espero que consigamos fazer diferente do que sempre fizemos.


Em tempos de crise e com tantas notícias trágicas, um assunto tem me divertido bastante: a sucessão no Bahia. É um tal de “eu vou, eu não vou” que beira o ridículo. O pior (ou o melhor) é que este filme é estrelado por um time de incompetentes de primeira em termos de futebol.

Fico me perguntando “o que será preciso para o Bahia acordar?”, mas nem sei se ele será capaz disso. A pior das pragas é a acomodação, algo que parece dominar o universo tricolor. E há tempos.

Pensando bem, apesar de achar engraçado isso tudo, não posso deixar de lamentar, com tristeza, que o fim do Bahia como um time grande é algo muito ruim para nosso futebol. Infelizmente, parece ser este o caminho que se apresenta.


Não estava lá, mas um colega jornalista me disse que o Vitória armou um esquema com tropa da polícia para o desembarque do time depois do jogo contra o Atlético do Paraná. Só não entendeu de quem eles queriam se proteger, já que não havia torcedores ou qualquer outro grupo no aeroporto.

Tentei ajudar e disse a ele que deve ter havido uma ameaça de bomba, denúncia anônima ou algo assim. “Na Bahia?”, ele me perguntou. Tudo bem, não faz sentido.

Então deve ser porque…            <Pausa>                  <Reflexão>

Espera aí. Não vou ficar procurando explicação para algo que nunca fará sentido. Foi mais uma “bola fora” da diretoria e pronto. Até que não foi das piores! 

Esquerda, volver! Esquadrão, marcha! 


Escutar conversa dos outros é feio? Bem, cada qual tem sua idéia, mas no geral sim. Isso para quem pode fazer julgamentos morais. Porém, certos ambientes não estão inseridos neste mundo em que qualquer julgamento é válido.

Um deles é a praxis jornalística. Neste mundo particular, ouvir a conversa dos outros é válido sim, assim como esconder fontes e despistar interesse. Diríamos até que isso é fundamental. Por isso, o repórter que tentou saber os segredos dos vestiários não fez nada errado. Quem lhe xingou de “moleque” por isto, não sabe nem seu papel nem o dele.

Aliás, hostilidade no ambiente rubro-negro não é novidade em nossa administração. Outros tempos já foram testemunha disso. Infelizmente. Considero este um assunto importantíssimo e que requer uma resposta séria da direção. Resta saber se há seriedade naquelas salas.


durval-correio

Foi muito boa a idéia de explorar com os “agentes da bola” quais caminhos o futebol apresenta hoje. O Correio da Bahia fez uma suíte (sequência de matérias) interessante sobre o tema, mas poderia ter ido além.

As fontes foram bem escolhidas, a redação foi isenta e enxuta (até demais), mas faltou o lado prático. Poderiam, por exemplo, mostrar os elencos atuais no futebol baiano e como os agentes ajudaram a montá-los.

Talvez isso preenchesse mais saudavelmente parte do imenso espaço da foto da matéria. Porém, não quero parecer o crítico, pois vale mais ressaltar o lado bom do que lamentar as inevitáveis falhas de um órgão da grande imprensa, quase sempre superficial e óbvio. Ou seja, dessa vez, o Correio foi além.

Quero apenas oferecer um contraponto à opinião dos agentes que acreditam que a privatização dos clubes de futebol seja o caminho de nossas equipes. Apenas para ser raso, como são os jornais, isso é exatamente o que já existe desde o século passado e não funciona. O caminho agora é o oposto.

Profissionalizar, enquadrar e depois sim, talvez, privatizar. Posso me surpreender, mas acredito que essa geração que aí está não será capaz fazer essa transição. Mesmo considerando que a humanidade “caminha com passos de formiga e sem vontade”, estamos cada vez mais atrasados para pegar o bonde para o futuro.

Uma dica para o Correio: vale acreditar que pode mostrar não só o que a Bahia quer saber, mais o que a Bahia precisa saber, ou seja, o que ela quer, mas não sabe disso. Ainda.


Chance de gol

15Nov08

Anotem este endereço: “eusouvitoria.com.br”. O canal, que já tem sítio na internet, parece ser uma iniciativa interessante, principalmente por unirem cabeça (UTV) e braços (Meuvitoria.com). Sem desprezar a articulação de um ou a capacidade de execução de outro, a fórmula oferece sinergia, o que é um “quase-gol”.

O programa diário em vídeo é interessante e já começou com um bom nível. Apenas me preocupo por iniciar como um diário, o que transforma a tarefa de manter o nível num trabalho de Hércules. Mas, de qualquer forma, é válido tentar.

Como sucesso depende de trabalho, isso é o que definirá o futuro da proposta. Só tem mais uma coisa: com ajuda ou sem ajuda do clube, o canal deve, aliás, precisa, mais ainda, é condicionante do sucesso, que não se torne um veículo “chapa-branca”.

Ter opiniões e versões oficiais é função de canais que já existem. Além disso, não são produtivos, sejam pela ineficiência e ineficácia dos processos, seja pela incompetência de quem os administra, seja pela falta ou incapacidade de planejamento e execução de tarefas.

Esta delicada tarefa de estar próximo e distante ao mesmo tempo da direção é, a meu ver, o maior desafio desta iniciativa. O artilheiro está na frente do gol, mas até a bola entrar isso é só uma chance. Boa sorte ao grupo!