Archive Page 2
Pimenta no dos outros é refresco
![]()
Sobre os incidentes em Recife, não sou onipresente, mas já sei uma coisa: a polícia não entrou no vestiário para “pedir para o goleiro se acalmar”, como eles alegam. Com certeza
houve brutalidade nas palavras e óbvio que não vão admitir isso. Bastaria este fato para interditar o estádio, a meu ver, mas, como provar que isto ocorreu?
Podemos aproveitar este despreparo da polícia e a falta de cordialidade do Náutico, que deveria agir veementemente contra este ocorrido, para lembrar que devemos, sempre, agir com seriedade. Por isso condeno a forma como foi feita a contratação da “cozinheira demitida do Bahia”, além de outras atitudes da direção.
Futebol é coisa para profissional, assim como falta de seriedade é coisa de amador. Por enquanto estou decepcionado com esta administração, que com certeza pouco se importa com isso. Como vimos nos Aflitos, pimenta nos olhos dos outros é refresco!
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Receita indigesta
Não vou estender muito este assunto, apenas o necessário para deixar claro o que entendi do fato “a cozinheira demitida do Bahia”. A tal Fernanda veio parar na cozinha do Vitória, tudo bem, mas o caminho foi pra lá de ensosso.
Primeiro que, como só ela falou, para todos os efeitos é dela a verdade. Não acredito muito nisso. Pode até ter razão, mas tenho certeza, pelo que conheço de gente, que ela temperou (inventou e fantasiou) muito a demissão.
Mas, isso não vem ao caso. O que importa nesta triste história é a posição do presidente do clube, que chama a imprensa para anunciar a contratação da dita cuja, numa atitude bizarra de falta de civilidade e de compromisso com coisas sérias.
Quer se dar o trabalho de fazer o que nós, torcedores, fazemos nas horas vagas e de lazer, brincar com o rival. No cargo em que está, não se pode fazer isso. Tratar o futebol como brincadeira mostra a falta de visão de quem está no comando, o que é muito desanimador. Queria saber várias línguas para expressar a nulidade e a perversidade dessa atitude.
Filed under: Uncategorized | Leave a Comment
Ipanemizando o Barradão
A faixa era direta: “Vergonha do nordeste”. Uma seta ao lado indicava na direção da torcida de flamenguistas, a maioria baianos, que foram prestigiar o time carioca no duelo dos rubro-negros.
A bem da verdade, essa paixão vem muito do processo de ipanemização que a comunicação de massa (televisiva) no Brasil sofreu e ainda sofre. Preencheram de cultura lugares que estavam vazios disso, mas esse não foi o caso de Salvador.
O baiano daqui sempre foi povo que se ufana, nem sabendo porque, muitas vezes. Sendo assim, restou aos neuróticos da guerra da sobrevivência contra si mesmo, aqueles que lutam para parecer outra pessoa, a assimilação exagerada dos valores de fora.
Torcer pelo Fla e, mais que isso, ir ao aeroporto fazer festa, não é coisa de quem tem “tenência na vida”. Talvez Freud possa explicar melhor quem são esses personagens, certamente personas em conflito com sua consciência e, de fato, vergonha do nordeste, pois, mesmo sendo daqui, querem anular sua historicidade, possivelmente por vergonha de si próprio.
Quero reconhecer as exceções, como os cariocas que estavam lá e os que apenas gostam de futebol, queriam ver um bom jogo e não são Vitória. Aos demais, soteropolitanos ou não, indico o caminho da terapia e meus sinceros lamentos.
Filed under: Uncategorized | Leave a Comment
Vitória abaixo de zero
Tenho um orgulho grande dessa camisa. Mesmo (tentando) esquiar ela serve de inspiração. Aliás, se o Vitória abrir uma seção de esqui no clube vou me candidatar a atleta. Apesar de ainda estar aprendendo, meu consolo é que poucos baianos vão estar melhores que eu no assunto. Campeão Baiano de Esqui? Quem sabe? O sertão já não virou mar?
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Eles estão na frente
A situação geográfica do Chile é algo tão peculiar que vale um registro. O que ocorre é um isolamento natural, já que, ao norte, há um deserto, o Atacama, e ao sul um outro, só que de gelo, a Patagônia. Dos lados, a Cordilheira Chilena e o oceano Pacífico margeiam o litoral e outra Cordilheira, a dos Andes, separam-nos do resto do continente.
Pode parecer um problema, mas essa distância nunca os incomodou. Pelo contrário. Isto pode ser comprovado até com uma velha piada, que conta quando japoneses indicaram, como forma de resolver o problema da poluição, uma abertura na cordilheira que ligaria o país com a Argentina. “Preferimos morrer aqui”.
O fato é que este isolamento os faz seres um tanto comedidos, low profile. Assim, seria estranho vermos brados pelas ruas para a seleção ou provocações com o grande número de brasileiros que aqui estão para fazer turismo.
Eles são diferentes. De nós, principalmente. Mas, a sua maneira, estão vibrando e eufóricos. Posso ver isso nas conversas com atendentes e motoristas. No mês da Independência deles, natural que a nacionalidade seja motivo de orgulho.
Bem, fazendo um paralelo com nosso nacionalismo e nosso selecionismo, vejo que, realmente, somos diferentes. Pelo que tenho visto, eles estão orgulhosos pela história do país e a seleção serve para completar a festa. Por outro lado, pelo que conheço, nós estamos torcendo pelo futebol e a festa cívica é que vem a somar, se é que isto ocorrerá.
Não quero me aprofundar na significação disto, pois, especialmente em dia de jogo, muito de paixão está no ar e, como disse antes, pelas duas coisas, misturadas e recriadas, a seleção e o país. Mas, talvez valha a pena uma pequena reflexão sobre nossa relação com a seleção.
Sei que futebol em nosso país é assunto de Estado e todos os brasileiros são diplomatas neste campo, mas é importante sabermos diferenciar o Brasil do Brasil-il-il… Independente do resultado deste jogo, das Eliminatórias, das Copas ou qualquer partida de nossa seleção, amistosa ou não, temos muitos desafios pela frente, como país e como pessoas.
Sabendo disso, na hora do jogo, estaremos prontos para deixar a modéstia de lado e gritarmos, torcermos e tudo mais. Depois, discutirmos, demitirmos o treinador (ou não) e criticarmos os jogadores pela postura ou falta dela.
Seguindo a vida, vamos tentar cuidar melhor de nosso país, começando pela nossa cidade e por nós mesmos. Este jogo é bem mais difícil e acho que o isolamento chileno contribuiu para eles estarem um passo a frente. O Chile é um país civilizado.
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Duas independências
Poderia o vinho brasileiro superar o chileno em qualidade? Bem, particularmente, dirigindo a pergunta aos entendedores da enologia, tenho certeza que ouvirei uma sonora negativa. Mas, se os vinhos chilenos estão entre os melhores do mundo, o futebol deles está longe disto.
Então, por que tamanha euforia? Ora, dois motivos se destacam: primeiro, a Seleção Brasileira não é a mesma de outras épocas. Segundo, setembro no Chile também não é igual aos outros meses. Motivo: a “chilenidade” à flor da pele.
Assim como no Brasil, a independência do país se comemora este mês, mais precisamente dia 18. Por isto, já se pode ver carros nas ruas com bandeirolas e anúncios cívicos nos postes de iluminação chamando todos para a grande festa que começa, este ano, dia 7, em pleno Estádio Nacional.
Claro que o Brasil não será um mero coadjuvante. Mesmo com tanto entusiasmo, a camisa amarela ainda guarda a áurea mítica de um manto sagrado em qualquer arena de futebol. A imprensa esportiva chilena, por exemplo, tem dado destaque até mesmo aos jornalistas brasileiros que vieram cobrir o jogo.
Já vi colega dando entrevista, tirando foto e até participando de programa ao vivo. Tudo bem que isto se deve, principalmente, a falta de imagens da seleção chilena. Com parquíssimas tomadas liberadas da “La Roja”, toda matéria traz, apenas, jogadores se exercitando e dando voltas no campo. Sempre as mesmas imagens.
Eles queriam estar preparando uma surpresa, mas, pouco poderão fazer. O técnico Bielsa sabe que euforia eles tem de sobra, mas, qualidade que é bom, quase nada. Até o Valdívia, que eles acham um craque, em nada surpreende o Brasil. Se fosse daqui, esquentaria banco.
Mas, convenhamos, o Chile tem direito de ter seus mistérios. Eu mesmo me surpreendi com o país. Nunca com seu futebol, mas com suas atrações. Fino e comprido, tem a intransponível cordilheira andina de um lado e o gigantesco oceano pacífico de um outro. Mesmo assim, é um grande exportador.
Cobre, principalmente, mas também vinho, salmão e outros produtos agropecuários. Para o Brasil, manda pouco, além do Valdívia, é claro. Mas isto deve ser motivo de orgulho, pois já foram espectadores privilegiados de um título mundial brasileiro, na Copa de 1962.
Aliás, Vina del Mar ainda conserva um pouco daquela competição. O relógio de flores que a seleção suíça presenteou o país, por exemplo, é um símbolo da cidade, que ficou conhecida como “cidade das flores”. Noutro lugar, palmeiras presentadas por Getúlio ornamentam a Avenida Brasil, bem em frente ao porto da vizinha Valparaíso.
É, muita história temos em comum, Brasil e Chile, cultura e futebol. Especialmente o futebol. Eles sabem que nenhuma outra vitória será mais deliciosa. Vencer os brasileiros na véspera da data nacional será uma ode ao país de Neruda, que, aliás, se chamava, na verdade, Ricardo, como nosso Kaká. Um dos dois vai sorrir mais feliz no mês das independências.
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Direto de Santiago
O inverno chileno já se desfaz e o o povo de Santiago começa a voltar às ruas. Para quem não sabe, o frio por aqui é rude, mesmo para os locais. Na capital e maior cidade do pais a média na temporada é de cinco graus, mas é comum baixar de zero.
A sempre visível Cordilheira dos Andes ainda guarda a neve que, em Vale Nevado, sediou o Campeonato Brasileiro de Esqui deste ano. Sim, afinal, neve no Brasil, somente para fazer desenho nos carros da Serra Catarinense.
Mas, apesar do frio perder força, o calor não vai chegar. Nem agora, nem domingo, dia em que os chilenos vão parar para assistir “La Roja”, como chamam sua seleção de futebol, a caminho da Copa do Mundo. Ou da decepção, quem sabe.
Nós, brasileiros, entendemos. Não da decepção de não ir para uma Copa propriamente dita, mas uma outra, a de esperarmos muito de nossa equipe e não ser correspondido. Aliás, tem sido uma constante nestas Eliminatórias.
De fato, a unanimidade da força do futebol brasileiro ainda existe, mas agora convive com outra, a de que este é um dos seus momentos de maior fragilidade. Por isto, nunca na história deste país frio e isolado por duas cordilheiras e que adora beber pisco sauer (caipirinha local) o otimismo foi tão grande.
“Nem os brasileiros acreditam”, dizia um jornal. “Zico e Zagallo reconhecem a crise”, escreveu outro ao entrevistar os dois futebolistas canarinhos. É isso: nem nos brasileiros a seleção tem gerado confiança.
Por outro lado, o argentino Marcelo Bielsa, treinador chileno, é um reflexo do oposto: “Vamos jogar atacando desde o início”, revelou na curta entrevista coletiva de apenas 30 minutos. Além disso, disse que já escalou Valdívia como meio-campo. “Temos excelentes atacantes”, justifica.
Podemos dizer que sua confiança está do tamanho do sentollas, um caranguejo gigante pescado na última cidade chilena ao sul, Punta Arenas. Para se ter idéia, um animal serve facilmente duas pessoas. E além de tudo é uma delícia.
Mas, garfos a parte, aí está o cenário para o confronto de domingo. Uma cidade fria, aos pés da cordilheira gelada, receberá um jogo de uma nação pequena e confiante apoiada por uma torcida barulhenta enfrentando outra, grande, tradicional, mas em crise.
Quem vencerá? O futebol não respeita previsões, todos sabem. Por isto, para ambos, não custa torcer com cautela. Ao fim ainda restará, para vencedores e vencidos, um longo caminho até a África do Sul. Um caminho regado à caipirinha, pisco sauer e a persistente esperança.
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
O pessoal e o profissional
Minha insatisfação com a atuação da diretoria do clube numa área estratégica como o marketing me leva a usar o espaço que tenho aqui neste blog e numa coluna no site Barradão Online para levantar questões e tentar provocar um debate aberto sobre alternativas de negócios para o clube.
Junto com isso, tenho atuado com algumas ações, como o livro e o Memorial do Vitória. Mas, nem a diretoria nem sua equipe tem contribuído. Por isto, tenho entendido este silêncio como uma recusa da diretoria em receber críticas ou contribuições “de fora” de seu grupo.
Só espero que não caiam nos equívocos das neuroses narcísicas dos maus administradores do futebol brasileiro: ou pensam que são donos do clube ou levam as críticas sempre para o lado pessoal. De um time profissional, esperamos ações de igual teor. É só isso que espero da diretoria. Pelo bem do Vitória.
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Poderia usar um tom mais ameno para falar do que não gosto no programa “Vitória na TV”, mas, não vou fazer isto. O motivo é que há tanta brutalidade na proposta que me sinto confortável em manter este tom.
Em poucas linhas, uma direção amadora utilizando uma edição atrasada de uma apresentação fraca com textos e reportagens de péssima qualidade, trilhas cafonas e vinhetas de comercial de quitanda. Ao meu ver, um tiro no pé dado por quem pensa que é assim que vai criar a imagem de um clube grande, “de primeira”.
Chegamos ao ponto de colocar no ar um garoto da divisão de base declarando que seu sonho no futebol era jogar na Europa num time grande, como se o Vitória fosse um apenas um caminho para isto e nada mais. Nada mais?
A nulidade do programa é tamanha que se saísse do ar não faria falta para ninguém. Perde seu tempo quem assiste em busca de ver um time grande. Aquele time do programa é um time pequeno, amador e sem rumo.
Apesar disso, deve agradar aos que compartilham da idéia do “melhor que nada”. Particularmente, estou no grupo do “melhor nada do que isso”.
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Achei interessante a repercussão de meus textos sobre o aluguel do Barradão. Naturalmente, todos os contatos, concordando ou não, foram de rubro-negros. Todos, menos um. Mas, de tão interessante que me pareceu, principalmente por abrir nossa cabeça para a possibilidade de um inteligente e produtivo diálogo inter-clubes, quero reproduzí-lo aqui. Como nada disse ao autor, deixarei seu nome de fora, mas a ele conduzo meus agradecimentos:
“Sou torcedor do Bahia e se tivesse a condição de optar meu clube não jogaria no estádio Manoel Barradas de propriedade do Esporte Clube Vitória por mera questão de dor de consciência, por vergonha e arrependimento por tudo que foi dito, isto é certo.
Mas acabei de ler seu texto Uma verdade inconveniente no Barradão Online e fique super contente ao saber que ainda existe gente que acredita na concórdia na paz e sobretudo no entendimento como forma de vida, creio que é neste ponto, justamente neste ponto que, se diferenciam os homens.
Acredite, palavras de concórdia mesmo abordada no âmbito do futebol tem um poder enorme que ultrapassa muito além as 4 linhas de um simples campo de futebol. Depois de ler o seu texto repensei a ideia que o mundo estaria perdido.
Aceite Ricardo humildemente meus parabéns”.
Parabéns aceito, caro amigo, com grande alegria. E sorte para nós!
Filed under: Texto do autor | Leave a Comment
Pesquisar
-
Você esta atualmente visualizando os arquivos do blog O vermelho e o negro.